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segunda-feira, 18 de julho de 2011

OS FANTÁSTICOS AVANÇOS DA TECNOLOGIA -TERCEIRÃO - 2° Bimestre

As vantagens da inovação tecnológica

     Não há como deixar de reconhecer que estamos no início de uma nova civilização que tende a desvendar fantásticos mistérios do universo; que pode sintetizar drogas e medicamentos, que pode alongar a vida de quem assim deseja e, igualmente, controlar o nascimento do ser humano. Na medicina reside, talvez, o capítulo mais emocionante das conquistas e descobertas de que a humanidade já teve conhecimento: os avanços vão desde a descoberta da penicilina até as vacinas que previnem as moléstias mais graves da primeira infância.
     No campo da biotecnologia, temos a invenção de produtos sintéticos de vegetais que auxiliam nos enxertos de pele; o controle da genética animal altera ciclos reprodutivos e promove a seleção de raças para aumentar a qualidade; e a genética humana permite a prevenção de más-formações futuras. Pode-se mencionar, ainda, o desenvolvimento de colônias de larvas que combatem as pragas nas lavouras agrícolas, poupando o uso abusivo de agrotóxicos, tão nocivos à saúde e ao ecossistema natural.
     No desenvolvimento de projetos de equipamentos, é fantástica a profusão de inovações que auxiliam na organização do trabalho e da gestão empresarial (como é o caso da leitura ótica nos caixas de magazines e supermercados) e na precisão de intervenções cirúrgicas (como é o caso do bisturi de laser, dos programas computacionais e das câmaras de filmagem endoscópica).
     Em termos de comunicação e informação, o salto que a televisão representou em relação ao rádio equivale mais ou menos à comparação entre a máquina de escrever e o computador. É verdade que a invenção do rádio provocou uma revolução na comunicação humana, e é inegável que ele tem ainda uma grande serventia para instituições públicas e privadas, bem como para garantir a segurança na navegação aérea e terrestre. Mas a televisão é, indubitavelmente, a maior inovação tecnológica da modernidade, não apenas pela sua linguagem, mas pelo potencial que encerra em termos pedagógicos, podendo levar às mais inacessíveis localidades informações preciosas em forma de imagens e sons. A televisão é, por excelência, o
instrumento democrático de informação e formação do presente e do futuro.
     O computador representa outra revolução, tanto no processo de trabalho como no de organização da informação. No processo de trabalho, o computador sintetiza e economiza operações, além de ser uma verdadeira “janela para o mundo”, pois com ele podem acoplar-se componentes periféricos (vídeo, fax, telefone, impressora) que se conectam com bancos de dados, sistema bancário, bibliotecas, lojas, agências de viagens. Tudo isso dentro da própria casa. Igualmente, a informatização nas organizações empresariais implicou uma nova racionalização do trabalho e da sua gestão.

Os problemas da civilização tecnológica:

     A tecnologia pode salvar o homem das doenças e da fome, abreviar seu sofrimento, substituí-lo nas árduas tarefas, garantir-lhe melhor qualidade de vida. Mas, por outro lado, a tecnologia pode acelerar a destruição da vida na Terra, desequilibrar o ecossistema pelo uso desordenado dos recursos naturais, pelo excesso de produção e pelo desperdício de energia. A máquina é o resultado da engenhosidade e do trabalho humanos. O homem é senhor da técnica. Tanto pode usa-la em benefício da humanidade como para subjugar uma boa parcela da humanidade aos caprichos de poucos ou, ainda, usá-la para autodestruir-se.
   Nem sempre a tecnologia está a serviço de causas nobres ou necessita de motivos edificantes para revolucionar formas de saber e de fazer. A guerra comprova isso. A fissão do átomo pelo homem ocorreu nas circunstâncias da Segunda Guerra Mundial. Posteriormente, a Guerra Fria, ao determinar a corrida armamentista, desencadeou o desenvolvimento de um formidável poder de destruição: a energia nuclear, capaz de liquidar dezenas de vezes o planeta Terra.
     A Revolução Industrial foi o marco decisivo para a consolidação do capitalismo. A inovação técnica é a própria razão da concorrência e o motor do lucro. Mas, embora o capitalismo acarrete um avanço incrível nas técnicas de produção, fazendo aumentar consideravelmente a riqueza das nações, não aboliu a exploração do homem pelo homem, nem baniu o espectro das guerras e a dominação de algumas nações sobre outras.
     Talvez a maior das contradições da moderna civilização tecnológica esteja na sua capacidade de produzir riquezas sem, no entanto, distribuí-las ao conjunto da humanidade. O acesso à tecnologia e a seus frutos é o grande desafio do próximo século para mais da metade da população mundial, que sequer chegou ao estágio da Revolução Industrial.

Soluções e novos problemas: os efeitos inesperados da técnica

     A cada nova conquista originada pelo avanço tecnológico, surge uma gama de novos problemas. Longe estão os homens, ainda, de chegar ao País das Maravilhas. Hoje, coexistimos, por exemplo, com o chamado desemprego tecnológico. Justamente as sociedades mais desenvolvidas, ao buscar alternativas tecnológicas para aumentar a produtividade do trabalho, acabaram deixando os homens sem emprego. Essa é uma característica que veio para ficar; é um elemento estrutural das sociedades avançadas. Nelas, o desemprego é causado pelo excesso de riqueza. Nas sociedades subdesenvolvidas, ao contrário, a débil incorporação tecnológica produz desemprego por falta de riqueza ou por sua má distribuição.
     Outros problemas decorrentes do avanço tecnológico nas sociedades modernas vinculam-se à produção da energia nuclear, à manipulação do material genético humano, às tecnologias de armamentos e à dietética. Não há ramos da atividade científica em que não se possa fazer demonstração dessa ambiguidade.
     Assim, frequentemente a moderna organização tecnológica da sociedade acaba produzindo resultados diferentes dos esperados, sem que houvesse intenção para tal. A técnica resolve uma situação, mas acaba criando outros complicadores, derivados da própria resolução.
     Os efeitos inesperados (e muitas vezes perversos) da técnica podem ser mais bem identificados no caso das doenças. A descoberta de drogas pode facilitar a sobrevida dos seres humanos em relação às diversas bactérias ou vírus, mas não impede o surgimento de outros mais resistentes e até invulneráveis, como é o caso do vírus da Aids. Não se sabe até que ponto o surgimento desses microrganismos resistentes deve-se ao efeito de um combate mal dirigido.

TECNOLOGIA E DESIGUALDADE ENTRE AS NAÇÕES
As origens da desigualdade entre as nações 

     É necessário analisar alguns aspectos importantes sobre a origem e a posterior consolidação da desigualdade entre as nações. Só assim seremos capazes de discernir como e por que alguns países se adiantaram em matéria de invenções tecnológicas, e como as usam para manter a dianteira na competição mundial.
      No começo da colonização, sobretudo pêlos portugueses e espanhóis na América, o fluxo em larga escala de metais preciosos (ouro e prata) da colônia para a metrópole respondia às exigências do mercantilismo. Logo em seguida, o fornecimento de matérias-primas agrícolas, principalmente de
alimentos, serviu para baratear os custos da mão-de-obra assalariada da Europa. Recorde-se ainda que a sociedade colonial era quase toda escravagista, diferenciando-se radicalmente da metrópole.
     As colônias foram transformadas em regiões estratégicas de produção de matérias-primas e importação de excedentes das metrópoles. Além disso, imperava o chamado Pacto Colonial, que proibia as colônias de negociar livremente com outras nações que não fossem seus colonizadores. A distribuição de tarefas definidas entre as nações passou a ser conhecida por divisão internacional do trabalho, que impunha a cada pais ou região certa especialização produtiva. Nas palavras de Eduardo Galeano: "a divisão internacional do trabalho consiste em que alguns países se especializaram em ganhar e outros em perder".

Diferenças entre modelos de desenvolvimento

     Quando se confrontam os diferentes graus de desenvolvimento dos Estados Unidos da América do Norte e da América Latina, é comum ouvirmos o seguinte desabafo: "Por que não fomos colonizados pelos ingleses, em lugar dos portugueses?". Essa questão é altamente perversa, porque não coloca os termos em seu devido lugar: o problema não é étnico, mas sim da colonização como tal. Basta ver a herança, para não dizer o estrago, que a Inglaterra deixou na índia, por exemplo, sem considerar os mesmos resultados nos países africanos.Para muitos povos, a colonização representou um período de perseguições e mortes.
     A mais conhecida explicação para entender os diferentes caminhos tomados pêlos EUA e pela América Latina é a oposição entre colonização de povoamento (EUA) e colonização por exploração (América Latina). Segundo Staniey e Barbara Stein, os colonizadores ingleses saíram de uma Inglaterra em processo de modernização, que encarava o conhecimento, a tolerância, os direitos individuais, a liberdade econômica, a poupança e o investimento como elementos inseparáveis do processo de transformação e crescimento. Ao contrário, as companhias comerciais ibéricas tinham uma finalidade extrativista e predatória.

As contradições atuais da desigualdade entre as nações

      O sistema econômico e geopolítico atual, mesmo que determinado por uma situação mais complexa se comparado ao sistema colonial, não aboliu ainda a imensa desigualdade entre as nações há muito industrializadas e as restantes. Fala-se em globalização de mercados, mas se esquece de que essa globalização é realizada sobre um desequilíbrio estrutural entre países ricos e países pobres.
     Na raiz desse desequilíbrio está também a imensa dívida externa contraída pelos países do Terceiro Mundo. Essa é a nova expressão da dependência, juntamente com o monopólio da técnica em mãos das empresas transnacionais.
    Para se ter uma idéia desse desequilíbrio, basta mencionar o fato de que o Hemisfério Norte, desenvolvido, possui menos de 30% da população mundial, mas produz e consome mais de 70% da energia do planeta, apropriando-se, assim, dos recursos naturais em escala planetária e de maneira perigosamente destrutiva. No entanto, a miséria imperante no Hemisfério Sul, subdesenvolvido, constitui também uma forma de ameaça ao equilíbrio do ecossistema e da própria espécie humana.

O PAPEL DA TECNOLOGIA HOJE - OS DESTINOS DO HOMEM

     Antes, quando sua capacidade tecnológica era mais limitada, o homem aproveitava a "força bruta" da natureza de uma maneira simplificada e direta (diques, barco a vela, luz solar). Atualmente, pode transformar as fontes energéticas, como, por exemplo, a eletricidade e a energia nuclear, por meio de operações tecnológicas mais avançadas e complexas, o que implica um maior intervencionismo do homem na natureza.          
     Esse problema exige, certamente, uma nova tomada de consciência sobre como conviver com o meio ambiente sem transgredi-lo, e isso pressupõe novas posturas, a colaboração mais estreita entre as diversas ciências (interdisciplinaridade).
     O avanço tecnológico parece indicar que toda a humanidade pode ser beneficiária dessas conquistas e não apenas alguns poucos. Mas falta, ainda, o homem descobrir que acumular máquinas e riquezas não é tudo.
     Por fim, existem hoje imensas possibilidades para o homem fundar uma sociedade planetária em novas bases: as máquinas podem pensar, auxiliadas, evidentemente, pelos homens; os indivíduos podem determinar seu próprio tempo de trabalho, uma vez que a informatização lhes possibilita produzir novamente em casa, e, concomitantemente, estar conectados com o mundo por uma complexa rede de comunicação (computador, telefone, fax); os homens encontram, enfim, melhores chances de realizar maior interação com o planeta do ponto de vista geográfico, econômico, político e ecológico. Para tanto, basta que utilizem a criatividade e a tecnologia na construção de uma nova solidariedade planetária.

Referência: CORDI, Cassiano. Para Filosofar. São Paulo: Scipione, 1997

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